domingo, 18 de maio de 2014

III. OS SETE SACRAMENTOS




III.

 Nos sete  Sacramentos
a igreja celebra
 os mistérios da Fé
e da Esperança
e do Amor.

Sacramentos fundamentais:
Batismo
Crisma
Eucaristia

Sacramentos de Cura:
Perdão, Reconciliação
Unção dos enfermos

Sacramentos de Ordem:
Matrimônio
Ordenação
  
A igreja : o sacramento original.............................02

I.     Batismo.................................................................03
II     Crisma...................................................................04
III    Eucaristia................................  .............................07
     1 O dia do Senhor.................................................07
     2 Liturgia durante o ano........................................07
     3  Celebração da Eucaristia................................08
IV    Perdão, Reconciliação......................................11
V     Unção dos enfermos..........................................15
VI    Matrimônio.................................................... .....15
VII   Ordenação..........................................................18


        Os Sacramentos: 

 A palavra sacramento aparece pela primeira vez numa carta de Plínio: “Em dias marcados reúnem-se e cantam um hino a Cristo como a Deus e obrigando-se por solene sacramento não a crime algum e a não negar o deposito confiado¨. A igreja designa com esta palavra os sete sacramentos. A igreja se compromete a viver os mistérios da fé.
          

A igreja o sacramento original  

             A igreja de todos os povos, inspirada pela Espírita Santa, é o sacramento fundamental, dela brotam os sete sacramentos.
A igreja instituiu os sacramentos: os mais importantes foram batismo e eucaristia. Na idade média foram constituídos sete sacramento.

Esta igreja dos povos só existe, porque Israel não aceitou Jesus como Messias prometido. ¨Deus lhes deu um espírito de torpor, olhos para não ver, ouvidos  para não ouvir, até este dia¨  (Rm 11,8). ¨Se, com efeito, o afastamento deles foi a reconciliação do mundo, que não será a reintegração deles, senão a passagem da morte para a vida¨? (Rm 11,15). Sem Israel a igreja é imperfeita, junto com Israel a igreja espera o reino messiânico. Não há igreja triunfal nem Israel triunfal, mas Cristo triunfal. Israel é companheiro da igreja no caminho até a revelação de Cristo na força da advogada, da Espírita Santa.
 (Moltmann: Na história do Deus trino p.151 ss)

A Igreja não é uma sociedade perfeita, nem idêntica com o reino de Deus A pretensão da salvação universal da igreja significa tomar partido dos povos pobres, da massa condenada, dos fracos que são irmãos e irmãs de Jesus (Mt 25).

 ¨Fora dos pobres não tem salvação¨ (Jon Sobrino). 
          
O vidente do Apocalipse vê um novo céu e uma nova terra, descendo do céu, uma nova Jerusalém, preparada como noiva do Cordeiro.  “Esta é a tenda de Deus com os homens, (Ap 21, 3-4).  Nenhum templo, porém, vi na cidade.” (Ap.21,22).  Uma visão que abrange o universo, Israel e a igreja e todos os povos, sem divisão entre o sacro e o profano, entre o impuro e santo.

         Sacramentos: ¨Penhor da futura glória¨

Os sacramentos são provisórios, eles avisam o futuro, são penhor da futura glória, são sinais do reino que vem. Nós rezamos: Venha teu reino. Jesus fala do seu reino, que não é deste mundo (Jo 18,36) O reino é presente, mas no mesmo tempo é futuro. ¨O que seremos ainda não se manifestou¨ (1 Jo 3,3). Fé e esperança são provisórias,

          Renascer  (Jo 3,3-8) e revestir Cristo (Gl,3,27)

No Evgl de João Jesus diz: ¨Ninguém. a não ser que nasça da água e da Espírita Santa, pode entrar no Reino de Deus¨. A água, talvez evoque a entrada de novos fies na comunidade dos discípulos. Renascer da Espírita é um ato permanente na vida.

 ¨Tu ( o Verbo) vestiste nossa humanidade¨. No batismo  vestimos Cristo (Gl 3,27).  O Espírito Santo transmite a graça de Deus no fiel para viver uma vida diferente no mundo. O seguimento não é um conceito ético ou moral da pessoa humana, mas graça de Deus. Doado de Espírita o fiel deve- se comprovar na vida¨ (igreja síria).

Nós comemos seu corpo e bebemos seu sangue para o perdão dos pecados ¨até o dia em que (eu, Jesus) o beber, de novo, convosco no reino do meu Pai¨ (Mt 26,29).

         O amor nunca desaparece (1 Cor. 13,13)

            No Evgl do discípulo amado Jesus batiza com a Espírita Santa, lava os pés dos discípulos e prepara moradas na casa do Pai (Jo 14,2). Não há  sacramentos, nem hierarquia neste Evangelho. A comunidade quer viver o amor. A prática é importante, viver as promessas.
         
Três Sacramentos fundamentais:

BATISMO: Fazemos parte do povo de Deus, somos filhos adotivos, somos o corpo de Cristo, somos a Igreja e formamos o templo do Espírito Santo.
CRISMA: Antigamente faz parte do batismo. Somos ungidos e chamados a sermos profetas, pastores e uma comunidade sacerdotal.
EUCARISTIA: Nós unidos na mesma fé ouvimos a palavra de Deus, agradecemos a Deus pelos mistérios da fé, anunciamos a morte e ressurreição de Jesus, chamamos a sua vinda e partilhamos o Corpo e sangue de Cristo.

Dois sacramentos de cura:

Perdão e RECONCILIAÇÃO: Celebração do perdão de Deus e perdão entre irmãos.
UNÇÃO DOS ENFERMOS: Concede o perdão dos pecados e conforto aos doentes.

Dois sacramentos em serviço da igreja:

MATRIMÔNIO: O vínculo nupcial simboliza o mistério do Cristo e da Igreja: o noivo representa Cristo, a noiva a Igreja.
            ORDENAÇÃO DE DIÁCONOS, PRESBÍTEROS E BISPOS:
Vocação de uma pessoa por Deus para servir de um modo especial à comunidade. Os chamados são ordenados pelo Bispo.     

A estrutura dos Sacramentos:

A hierarquia decide como celebrar os sacramentos:, qual é o elemento, quem será o ministro e quem pode receber um sacramento. 
Os doutores da igreja ensinam: “A palavra se junta ao elemento e acontece o sacramento.” O sacramento se compõe do elemento  e da palavra e do ministro. Para receber  os sacramentos precisa fé.
 Os elementos dos sacramentos:
       “Aqui tem água, posso ser batizado”. A água é o elemento do batismo.
       Uma mulher unge Jesus com óleo, um perfume, muito caro, força para a última caminhada de Jesus. Óleo é o elemento da crisma.

        Na eucaristia apresentamos pão e vinho, fruto da terra e do  trabalho do homem e da mulher.
        No sacramento do perdão os pecados mesmos são o elemento.
        No matrimônio falta um elemento. Agora os próprios corpos dos casais são os elementos.
         Na ordenação a imposição da mão é o elemento.
        A igreja inclui na celebração dos sacramentos toda a criação, que faz parte da salvação.

As palavras dos sacramentos:
       As palavras em geral são citações da Escritura ou fórmulas da própria igreja.
       Eu te  batizo...
       Isto é meu corpo...
        Eu me entrego...eu te recebo...

Os Ministros:
       Ninguém pode se dar um sacramento, porque é um dom doado por Deus através da igreja, só pode ser dado a uma pessoa por meio de um ministro que pode ser o presbítero, o bispo ou um leigo qualificado. No caso do matrimonio os noivos mesmos são os ministros e se dão mutuamente o sacramento.

  I O Batismo

                   A condição do batismo:

Um acréscimo do Evgl. de Marcus diz: (Mc.16,16) “Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado.” O importante para a salvação é a fé, que nós professamos no símbolo da fé,


 João Batista: ¨Aquele que me mandou batizar com água foi quem me disse: ´Aquele sobre qual vires o Espírito descer e permanecer sobre ele, é ele que batiza no Espírito Santo´. E eu vi e atesto que ele é o Filho de Deus¨ ( Jo 1,33; Mc 1,8;).
 ¨Na verdade, Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos¨ que tinham mais discípulos do que os discípulos de João.(Jo 4,2).A água é o sinal, que avisa o dom da Espírita Santa.

                    O batismo na tradição apostólica:

          É uma coleção de ordens eclesiais em torno de 250:
O batizando renunciou três vezes a pompa dos ídolos e depois foi batizado três vezes na água com as perguntas:

      1.  Crê em deus, o pai onipotente? Creio!
    2. Crê em Jesus Cristo, o filho de Deus, nascido do Espírito Santo da virgem Maria, crucificado sob Pôncio Pilatos, morto, no terceiro dia ressuscitou vivo, ascendeu ao céu, sentado à direita do Pai, que há de vir julgar os vivos e os mortos? Creio!
      3. Crê no Espírito Santo na santa igreja e na ressurreição da carne?

                                  O Rito do batismo: 
      
                  Antes de batismo cantamos:   
     Derrama  a Espírita o Pai sobre nós e sobre a água!
                               Depois cada pergunta:
1.     Derrama a Espírita o Pai e seremos o povo de Deus.
Nós não recebemos um espírito de escravos para recair no medo. Nós recebemos um Espírito de filhos adotivos, por meio do qual clamamos:
          “Abba! Pai !” (Rm 8, 14-17;)
2.     Derrama a Espírita o Pai e seremos o corpo de Cristo.
Fomos batizados em Jesus Cristo, sepultados com ele na sua morte, a fim de que também nós levemos uma vida nova (Rm 6,4). “Se estamos mortos com Cristo, cremos que também viveremos com ele” (Rm 6,8).     

3.      Derrama a Espírita o Pai e seremos a tenda divina.
“Vocês não sabem que são templo de Deus e que “o Espírito” de Deus habita em vocês? Pois o templo de Deus é santo e esse templo são vocês”. (1 Cor 6,19).

            Depois do derramamento da água podemos cantar
                 Creio Senhor, mas aumentai minha fé!   

 A unção com óleo da ação de graça:
Imediato após o batismo  seguia a unção.

 Uma antiga oração diz:
        “ Senhor Deus, Tu dignificaste N.. pelo renascimento da Espírita Santa  de ganhar o perdão dos pecados. Faça-o digno de ser repleto da Espírita Santa para que possa servir a tua vontade¨.

               Símbolos do batismo:
Vestir a túnica branca e receber a vela acesa:

Pelo batismo desnudamo-nos do velho Adão da morte, revestímo-nos do novo Cristo da vida. (Gl 3,27)

             A vela foi acendida no Círio pascal: Vós sois a luz do mundo,  brilhem nas trevas do mundo.

II. A Crisma

II.1)  O Rito da Crisma:

1. A igreja celebrou o batismo na festa da Páscoa. Após três anos de preparação os adultos foram batizados.
 Logo foram ungidos com o óleo da Crisma, uma mistura de bálsamo que é perfume e de óleo que dá força.

2. Ainda hoje após o batismo segue o crisma com as palavras:
“Pelo Batismo, Deus Todo Poderoso te libertou do pecado
 e fez renascer pela água e pelo Espírito Santo.
Fazes agora parte do seu povo.
Que ele te consagra com o óleo santo para que
 como membro do Cristo, profeta, pastor e sacerdote,
 continues no seu povo até a vida eterna”.

3. Hoje o bispo dá o sacramento da Crisma aos jovens
                    com as seguintes palavras:
“Receba o dom do Espírito Santo.
A paz esteja contigo”.


Na crisma confirmamos a nossa vocação no seguimento de Cristo: ser profeta, pastor e comunidade sacerdotal:

           Ungidos pela mãe Espírita do Pai, profetas do Reino seremos!
           Ungidos pela mãe Espírita do Pai, sacerdócio santo seremos!
           Ungidos pela mãe Espírita do Pai, servos dos pobres seremos!

2. A vocação dos crismandos:

Hoje em dia os jovens recebem a Crisma numa idade quando descobrem o seu Eu. O jovem faz agora sua própria decisão, Deus chama a pessoa mesma.

          Javé chamou Jeremias para ser profeta: “Antes de formar você no ventre de sua mãe, eu o conheci: antes que você fosse dado à luz, eu o consagrei” (Jr.1,5), Paulo relata sobre sua vocação: ”Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer” (Gal, 1,15)

            Um hino na carta aos Efésios bendiz Deus: “Ele nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos...” (Ef 1,4) Deus chama antes que fomos concebidos.

a)   O desenvolvimento do EU

Eu sou o que recebi:
gerado pelos pais, formado pelas autoridades, professores da escola, a igreja, estimado pelos colegas eu fui formado
 A criança ainda não sabe diferenciar entre a realidade e um sonho, por isso inventa e mente. Brincadeira para ela é realidade. Ainda não tem o conhecimento do bem e do mal.
A criança obedece aos pais, aos professores e às autoridades (os psicólogos chamam isso o SUPER-EU). O EU da criança depende dos outros, formado pelos outros.  No SUPER-EU estão presentes todas as autoridade: pais, escola, televisão, igreja, sociedade vigente que  formam o meu EU, muitas vezes pela repressão, castigos, ameaça, tortura. Eles querem submeter o EU às crenças públicas, prometendo e ameaçando, usando chicote e doces.

 Eu sou Eu
 Na adolescência o jovem descobre o seu EU, por isso revolta contra as autoridades. Mas muitas vezes ainda existe medo, por isso o EU foge nas mentiras, nas bebidas, nas drogas, no fingimento. Eu quero ser aquilo que ainda não sou.
Deus não está no Super-Eu, mas no EU, Ele chama cada um pelo nome e pergunta: onde estás, o que fizeste?
           
Eu sou o que dou aos outros
É o terceiro passo no desenvolvimento da pessoa:
eu  amo outras pessoas
eu trabalho para outros
eu entrego minha vida  finalmente aos outros.

O adulto seria maduro, quando consegue amar e trabalhar (Sigmund Freud). Às vezes uma pessoa não quer aceitar a realidade, por isso reprime tudo o que não gosta para esquecer.
 Mas a pessoa guarda tudo no inconsciente que aparece no sonho. Acontece uma regressão, uma volta ao seio materno. A pessoa fica incapaz de amar e trabalhar.
(Erik H.Erikson: Kindheit und Gesellschaft, 1950)

b)   Aqui estou:

Agora EU quero responder ao chamado de Deus: Aqui estou! Estou presente, face a face de Deus, o meu amigo.
Quero ser profeta, pastor e sacerdote.. 

           Eu quero ser Vidente, Profeta

             O Mundo da Mentira 
             Vivemos num mundo neoliberal, capitalismo que se expande no globo, um fenômeno global. As grandes empresas internacionais têm o poder sobre os recursos do planeta, sustentados pelos governos. Eles reprimem os trabalhadores com um salário de fome e destroem a natureza.
Na sociedade: a mídia, a televisão, a imprensa, os meios da comunicação falam a verdade?
             O mundo da mentira faz escravos: Qual é o comportamento de escravos? Por causa do medo precisa fingir, acomodar, se submeter, obedecer...
             As testemunhas da verdade                                                                        
  No Pentecostes (Atos 2,16-18) se - cumpre o que foi dito pelo profeta Joel: “Derramarei o meu espírito sobre toda a terra, filhos e filhas, jovens e anciãos, servos e servas”, todos serão profetas, não se fala de sacerdotes (cf. Jr 31,31-34).
Jesus chama os discípulos amigos “porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). “O Espírito da verdade encaminhará vocês para toda a verdade... e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer” (Jo 16,12-13).
                                                              
          Eu quero  ser pastor

            O bom pastor contra os mercenários
O Evgl. de João apresenta Jesus como um bom pastor, os sacerdotes são mercenários, as ovelhas não são deles. Jesus tem autoridade do Pai de dar a vida pelas ovelhas e vai receber a de novo.:  (Jo 10, 22- 42 e 10, 1-21).
A vocação de um discípulo de Jesus seria dedicar a sua vida em prol do outro, do pobre, do esquecido marginalizado contra um mundo do capitalismo que acumula dinheiro, que oprime o fraco e explora os recursos da terra.
 
          Eu quero participar do Sacerdócio comum

           Jesus foi vítima dos sacerdotes
             Nunca Jesus se identificou com a classe dos sacerdotes, ao contrário a rejeita. Jesus rejeitou as leis da pureza (Mc. 7,14-23) e expulsa os vendedores de bois no templo que serviram para os sacrifícios. Deus quer misericórdia, não sacrifícios.
 Nunca no Novo Testamento Jesus recebeu o título de sacerdote ou sumo sacerdote só na carta aos Hebreus.
Jesus “pelo espírito eterno se apresentou a Deus como vítima sem mancha” (Hb 9,14), um sacerdote que oferece perdão ao mundo: “Ora, onde houve perdão, já não se faz a oblação pelo pecado” (Hb 10,18).

        Ele fez de nós um reino, sacerdotes para Deu
            Há uma imensa multidão. diante do trono e diante do Cordeiro. Eles vêm da grande tribulação, rendendo a Deus culto dia e noite (Ap 7,9-15), Eu quero participar destes vítimas da história.

Somos “uma santa comunidade sacerdotal, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pd 2,5; e 2,9). “Eu vos exorto, em nome da misericórdia de Deus, a vos oferecerdes vós mesmos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este será o vosso culto espiritual” (Rm 12,1).

A Eucaristia é o lugar privilegiado para o nosso sacerdócio. “Aproximemo-nos pois com toda a segurança do trono da graça, a fim de obter misericórdia e alcançar graça” (Hb 4,16). A igreja celebra a aliança no sangue de Jesus para a remissão dos pecados: “Isto é meu sangue, o sangue da aliança, derramado em prol da multidão” (Mc. 14,24). “para o perdão dos pecados” (Mt 26,28).


    III. EUCARISTIA: Ação de graças

                  III 1) O Dia do Eterno:

O Sábado dos Judeus: Dia do “Eterno”. Os judeus celebram o Sábado que começa na sexta feira com o por de sol, com a seguinte saudação:
“Vem, meu bem amado, ao encontro da noiva.
O Shabat aparece, vamos recebe-lo.
Bem vindo sejas, coroa de seu esposo, entra minha bem amada, vem com canto, com alegria, com regozijo para o meio dos fiéis. Vem,  a noiva, vem shabat a rainha”.

O Sábado é o dia do “Eterno” e da aliança: fazer do Sábado uma aliança perene (Ex.31,16), é  o dia de lembrar da escravidão no Egito, não trabalhar, um dia para os homens (Dt. 5, 15), é o dia de descanso, no sétimo dia Javé repousou, um dia sagrado a Javé (Ex 20, 11).

              Dia do ”Senhor”:
 Os cristãos celebram o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do Senhor com a fração do Pão.
Nas casas partiram o pão (Atos 2, 46)”, “No primeiro dia da semana estávamos reunidos para a Fração do Pão (At 20, 7)”. Por isso chamaram esta celebração de Fração do Pão.
O Imperador Constantino decidiu o primeiro dia semana como feriado no Império em torno de 320 e chamou-o “o Dia do Sol”, em português falamos “o Dia do Senhor”..

Os mártires levados ao tribunal romano eram interrogados:
“Porque vocês estavam comendo com o Senhor Jesus?¨ eles respondiam: “Sem comer com o Senhor Jesus, não podemos viver”.
Interrogados: “como podem trocar um pedaço de pão e um pouco de vinho pela própria vida de vocês¨ ? Eles respondiam: Se nos tiram a possibilidade de fazer a memória do ressuscitado, tire-nos a vida porque não vale a pena viver.

                      III 2.) A Liturgia durante o ano: 

            O ano litúrgico tem 34 domingos comuns com duas grandes festas: Natal e Páscoa.

a)    Advento, NATAL e Epifania
            Antes do Natal celebramos quatro domingos de Advento: esperamos a vinda de Jesus ressuscitado e do Reino de Deus. Neste tempo não tem flores, a cor é rocha, é um tempo de vigilância.

            Natal: No dia 25 de dezembro a Igreja Católica Romana celebra o Nascimento de Jesus. Não é a data histórica do nascimento de Jesus.  O dia 25 de dezembro, em Roma, era reservado para comemorar o Deus do sol invicto. Era uma festa pagã que se dava na virada do sol no inverno. Nesses dias, no hemisfério norte os dias começam a aumentar, a luz vai vencer as trevas.
Para afastar os novos cristãos destes cultos pagãos e para anunciar “o verdadeiro sol”, o conteúdo desta festa passou no IV século a ser em honra ao “Cristo Sol”. Nós aguardamos a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Os pastores em Lc são os representantes dos pobres do povo de Israel.
 Epifania: O dia 06 de janeiro é o dia da “Santa Teofania” para os católicos ortodoxos no Oriente, isto é “a manifestação do Deus que se encarnou em Jesus”. Os ortodoxos celebram nesta Epifania os magos, que já representam os pagãos ou todos os povos, porque mais tarde o ressuscitado envia os discípulos para todos os povos. No mesmo tempo se manifesta Deus no batismo de Jesus no Jordão e Jesus manifesta a sua glória nas bodas de Caná.

    b). Quaresma, Páscoa e Pentecostes

             A Quaresma inicia com a 4º feira de cinzas.
             Durante os 5 domingos da Quaresma nós nos preparamos para a festa da Páscoa. Quaresma significa 40 dias, lembra os 40 anos do povo no deserto, por isso Jesus ficou durante 40 dias no deserto.
 Não tem flores e a cor é rocha.

                 A Semana Santa:
                 Domingo de ramos: entrada na cidade Jerusalém.
                 5º feira Santa: Ceia do Senhor.
                 6º feira Santa: morte de Jesus.
                 Sábado Santo: dia do Silêncio.
                 Domingo da Ressurreição: a festa mais importante do ano, quando celebramos a Nova Páscoa. Antigamente os catequizados receberam depois 3 anos da preparação os sacramentos de batismo, crisma e Eucaristia.
                Tempo de Páscoa:
Durante 7 semanas celebramos a ressurreição, que são 49 dias.
                Pentecostes (quinquagésimo dia = Pentecostes): os Judeus celebram a Aliança de Javé com seu povo no Sinai, sinais da presença de Deus foram fogo e trovão. Os discípulos reunidos em Jerusalém recebem o Espírito Santo e nasce a Igreja, a Nova Aliança. Sinais são línguas de fogo e barulho.

c)   Outras festas

1. Festa da Trindade - domingo após Pentecostes
2. Corpo e Sangue de Cristo - Quinta feira após Pentecostes.
3. Cristo Rei, último Domingo comum.

4. 01. de Janeiro -        Maria, mãe de Jesus, Dia da Paz
    08 de dezembro -    Imaculada Conceição,
    08 de setembro -     Nascimento de Maria
    15 de agosto -         Assunção de Maria
    12 de outubro -       Nossa Senhora do Brasil
     01 de novembro - Todos os Santos
     02 de novembro – Todos os Defuntos

                          III 3.) O Rito da Eucaristia:

Rito inicial e leituras:

Começa com Canto de Entrada, antigamente a comunidade fez uma procissão para entrar todos juntos na igreja.
            O celebrante faz a acolhida. O Comentarista dá uma introdução da Liturgia.
            Ato de conversão
É melhor falar da conversão em vez da penitência.   Antigamente não tinha este ato na celebração. Nós queremos nos converter a Deus e fazer união entre nós, que somos fracos em viver a nova aliança. Confessamos as nossas faltas. A preocupação de Deus e de Jesus não é o pecador, antes o miserável. Nós chamamos a misericórdia de Deus para todos que vivem na miséria.
            Agora nós podemos celebrar a paz. “Jesus, não olhes os nossos pecados, mas a fé da vossa igreja” e fazer a paz entre nós.

  Rito da Palavra
           
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens”
(um canto de Natal).
Oração da assembléia
 1º Leitura tirada do Primeiro Testamento se relaciona com o Evangelho. O povo responde com um Salmo ou um Canto.
            2º Leitura é uma leitura contínua das Cartas dos Apóstolos. Segue um canto para a procissão do Evangelho.
            No Evangelho Jesus mesmo fala. Durante 3 anos a igreja anuncia os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, interrompidos por trechos do Evangelho de João. Segue a homilia, uma interpretação dos textos.
Após a homilia professamos a nossa fé e terminamos com as preces da comunidade e as intenções.

Rito sacramental:

     Apresentação das ofertas:
Nós apresentamos em procissão pão e vinho com uma antiga benção de Deus:
“Bendito sejais Senhor, Deus do Universo,
pelo pão que recebemos da vossa bondade,
fruto da terra e do trabalho humano,
que agora vos apresentamos
e para nós se vai  tornar pão da vida.

Os participantes respondem:
Todos: “Bendito seja Deus para sempre!”

“Bendito sejais Senhor, Deus do Universo,
pelo vinho que recebemos da vossa bondade,
fruto da videira e do trabalho humano,
que agora vos apresentamos
e para nós se vai  tornar vinho da salvação”.

Os participantes respondem:
Todos: “Bendito seja Deus para sempre!”.
           
            Nós apresentamos os frutos da natureza, pão e vinho, incluindo todo o universo.
Nós apresentamos o nosso trabalho, do homem e da mulher. O ofertório é um ato de solidariedade, nós queremos partilhar os nossos bens com os empobrecidos.
            No pão e no vinho nós não sacrificamos ou ofertamos algo a Deus, tudo é dele, mas apresentamos tudo diante de Deus, de quem tudo recebemos.
 Bartolomeu de Las Casas se converteu lendo Eclo 34,11-22: “oferecer um produto da injustiça é fazer zombaria”.      
 Teresa de Lisieux (Teresa do Menino Jesus) quis comer o Pão de lágrimas em solidariedade com aqueles que não podem acreditar 

Oração eucarística:

O  prefácio varia durante o ano, mas o objetivo central é o agradecimento. “Demos graças ao Senhor Nosso Deus”.  O celebrante, em nome da comunidade, dá graças a Deus todo amoroso pelas maravilhas que ele fez por nós na história, culminando com a vida, morte e ressurreição de Jesus.

A comunidade confirma o louvor aos prodígios de Deus
 com o Santo, santo, santo, e espera aquele que vem em nome do Senhor.

Antes da consagração a comunidade como povo sacerdotal chama a Espírita Santa: para que ela transforme o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Jesus:
     
      Envia a mãe Espírita, ó Pai                                      Nós te pedimos, o Pai nosso,
 que transforma o Pão e o Vinho                           A Mãe Espírita transforme esses dons                                                                                 no Corpo e no Sangue do Senhor                                                  

Em nome de Jesus o Presbítero repete as palavras de Jesus:
         Tomai, todos, e comei: Isto é meu corpo, entregue por vós.
        Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu sangue
 da nova e eterna aliança nova, derramado por muitos.

Nós proclamamos o mistério da fé (e da esperança):

Anunciamos Senhor a vossa morte
e proclamamos a vossa ressurreição.
Vinde, Senhor Jesus:”

 A Espírita e a esposa dizem: Vem Senhor. Nós vamos comer e beber com o ressuscitado, como falaram os primeiros cristãos. Esta refeição já simboliza as núpcias do Cordeiro.

             Desta vez pedimos a Espírita Santa que nós, sendo o corpo de Cristo pelo batismo, nos alimentemos com o corpo de Cristo:

Envia a mãe Espírita ó Pai:                    Nós te pedimos ó Pai nosso
e seremos um Corpo com Cristo!          um só corpo a mãe Espírita nos faz
                                                                       na partilha do Cordeiro entre nós.

     

     Nós como igreja local reumnio-nos com a igreja universal no mundo inteiro, representada pelo Papa, os Bispos e todos os ministros.
 Lembramos todos os membros do corpo de Cristo que sofrem, que vêm da grande tribulação,
Lembramo-nos dos falecidos que adormeceram na esperança da ressurreição, mas também de todos que partiram dessa vida e juntamo-nos com os santos: com Maria, mãe de Jesus, com todos os discípulos, mártires e todos os justos e santos.

          A Oração Eucarística termina com um louvor à Trindade:
“Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós Deus Pai Todo Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre”. Amém.



Rito da comunhão

O rito começa com o Pai Nosso. Na oração que segue pedimos a libertação de Maligno, dos representantes da violência, do egoísmo, da injustiça...
A partilha: Nós nos reunimos em redor de uma mesa para comer e beber com o Ressuscitado. Já na primeira aliança Moisés com os 70 contemplaram a Deus no monte e comeram e beberam (Êx 24,11). Agora celebramos a aliança, o sangue para o perdão dos pecados (Mt 26,28)
 Antigamente os cristãos repartiram um só pão e beberam de um só cálice. Durante a fração e da partilha do pão se canta o Cordeiro de Deus.
Cordeiro de Deus, a vítima dos poderosos: tende piedade de nós
Cordeiro de Deus, que morto, agora está vivo: tende piedade de nós!
Cordeiro de Deus, convidas as núpcias tuas: dai nos a paz!

Quando o presbítero fala “o Corpo e Sangue de Cristo” nós respondemos: Amém, professando a presença de Cristo.
O cálice da benção é a comunhão com o sangue de Cristo. o pão que partimos é comunhão com o corpo de Cristo. Um é o pão e um é o corpo que formamos. (1 Cor 10, 16 s). 
Nós te louvamos, o pai nosso:
nós comemos e bebemos com Jesus,
que derrama a mãe Espírita em nós. 

Rito final

O celebrante dá os avisos da comunidade. Após a oração final recebemos a benção para que nós sejamos uma bênção como Abraão na primeira aliança e Maria na nova aliança.

       Antes da reforma da liturgia a despedida foi assim:
“Ide, é a missa. De lá vem a palavra: Missa.  O sentido desta palavra:
Ide, começa a nossa missão.

              Reflexões sobre o Corpo e sangue:

O bispo Ambrósio de Milano:
¨ A ceia não é uma recompensa para os perfeitos,
mas um generoso remédio e alimento para os fracos¨.

Santo Agostinho:
O vosso mistério está no altar,
Sejam o que vêem, recebam o que são.
Recebam o Corpo de Cristo, sejam o Corpo de Cristo

                           A liturgia síria e a Espírita Santa:
               ¨ Quem come com fé, come o fogo do Espírito.”
           To pneuma tem importância especial: Como no batismo pneuma hágion desceu sobre Jesus, assim o Myron (crisma) age na comunhão. No pão e no cálice estão o fogo e o Espírito. Do mesmo modo tomou o cálice, abençoou e encheu o  com o Espírito Santo. Ele designou o pão como seu corpo vivo, encheu-o com si mesmo e com o Espírito...
           
Sobre o sentido da palavra “Entregar”:   
 Deus amou tanto o mundo, que entregou seu filho (Jo 3,16). Judas  entregou Jesus aos sacerdotes, que o entregaram a Pilatos, que o entregou á morte.  Jesus entregou a sua vida por nós.
Na Eucaristia Jesus entregue seu corpo e sangue a nós.

       O Corpo de Cristo e seu sangue

1)O corpo individual
      - tem muitos membros: quais as funções?
      - Temos membros decentes e indecentes?
      - O que acontece se um membro sofre?
      - Como alimentar o corpo?
      - Os frutos da terra passam pelo corpo.

2) O Corpo Social:
     - Como meus membros se ligam com as outras pessoas? Olhos, ouvidos, boca, braços, mãos, pés...
     - Nós não somos só um corpo individual, mas também formamos um corpo social. Ex: alguém se associa ao corpo de bombeiros, à corporação policial. As pessoas se incorporam nestes grupos sociais.

3) Nós nos incorporamos no Corpo de Cristo, seremos um corpo com Cristo
A taça de benção que abençoamos, não é Comunhão com o sangue de Cristo? O Pão que partimos, não é Comunhão como Corpo de Cristo? Um é o Pão e um é o Corpo que formamos, apesar de muitos; todos partilhamos o único Pão” (1 Cor 10, 16-17).
             
      O Sangue de Cristo
O sangue derramado do Abel grita: “A voz do sangue do teu irmão clama do solo a mim”. (Gn 4,10), chama justiça.
Na conclusão da aliança havia um sacrifício da paz: Moisés aspergiu com a metade do sangue o povo, o resto derramou sobre o altar. A aliança é vida para o povo, simbolizada pela sangue.(Ex 24,1-11).
Jesus tomou uma taça, dizendo: ¨Bebei dela todos, pois isto é o meu sangue da Aliança, derramado em prol de muitos para o perdão dos pecados (Mt 26,27-28). Paulo fala da nova aliança (1Cor 11,25)

             
       IV. Perdão dos pecados

  
         IV 1.) Informação:

            Perdão No NT
            Jesus glorificado entrega esta autoridade a todos os discípulos: “Recebei  Espírita Santa. A quem perdoares os pecados, ser-lhes-ão perdoados, a quem não, serão retidos” (Jo 20, 22)  A Espírita Santa é o perdão dos pecados. Quem não acredita em Jesus, não recebe perdão.
 Tiago recomenda (5,16): ”Confessai, pois, vossos pecados uns aos outros e rezai uns pelos outros, a fim de serdes curados.”
            O Evgl. de Mateus (18,18) relata a correção fraterna entre irmãos-cristãos. Se uma reconciliação não der certa, chamar a autoridade da igreja.
             A condição do perdão é o arrependimento e a conversão: Eu pequei. Porém: existe  exclusão: ¨ Tudo o que ligares (desligares) na terra será ligado no céu (desligado)¨. (Mt 1619), O Apocalipse: ¨Fora os cães, e os magos, os impudicos e os assassinos¨ (Ap 22,18)

          Na história
Até o ano 600 aproximadamente, existe só um caminho para o cristão que peca de novo: entrar na categoria dos “penitentes”: o pecador declara o seu pecado e é recebido na ordem dos “penitentes”, vai viver durante anos fora da comunidade devido aos pecados graves: adultério, homicídio, sacrilégio, apostasia.
Os monges irlandeses tinham a prática de confessar os pecados privadamente a um sacerdote. O sacerdote impunha uma penitência. Com o desaparecimento das comunidades o papel do sacerdote aumentou. Na falta de um sacerdote a confissão pudesse ser feita a um leigo. Na prática, pouco a pouco, as obras penitenciais impostas diminuíram, apareceu o costume de confessar também os pecados leves e de confessar freqüentemente.

             
IV 2 ) A tentação

A queda da humanidade (Gn 3,1-24): 

 A tentação na criação: Javé advertiu a não comer da árvore do conhecimento.
Aparece a serpente, astuta  mentindo tenta: “Deus vos disse realmente: não comereis de todas as arvores?  Sereis como deuses, possuindo o conhecimento, do que seja bom ou mau”. Vocês terão conhecimento do bem e do mal. Tiago afirma: ¨Pois Deus não pode ser tentado a fazer o mal e a ninguém tenta¨ (Tg 1,13).   A liberdade de Adão, do humano,  está no jogo.  
A mulher viu a arvore: boa de comer, sedutora de se olhar, preciosa para agir com clarividência... Depois reconhecem que estavam nus: quer dizer eles reconhecem sua fraqueza, debilidade e, caducidade. Eles não são como Deus, finalmente voltarão ao humo.
Padres da igreja como Irineu e Maximo explicam assim: Adão foi como uma criança, colocado no paraíso, a fim de que pudesse crescer e se tornar adulto exercitando a própria liberdade. Mas ele foi enganado e agiu erradamente, aplicou erradamente a liberdade. Desde o princípio a criação se encontra em estado de mortalidade e espera a chegada do homem para superar a morte.
            (Joannis Zizioulas: A criação como Eucaristia).

Javé busca os perdidos, chama “Onde estás? O que fizeste?“ Ele amaldiçoa a serpente enganadora, porá hostilidade entre o poder masculino e a fraqueza feminina. Nesta luta desigual a descendência da mulher vai vencer a serpente, o dragão. Já aqui Deus está ao lado do fraco e estará ao lado dele durante toda a história.
O nosso texto não fala de pecado, só da queda e das consequências dela. Quando Cain mata Abel, se fala do pecado.

O livro Eclesiástico insiste na liberdade: Ele colocou junto de ti o fogo e a água: para o que quiseres, tu podes estender a mão. Diante do homem está a vida e a morte, o bem e o mal: ele receberá aquilo que preferir. (Sr 15,11-20).


             Pecado original ?
A doutrina do pecado original foi inventado do santo Augustinho (354-430). traduzindo  falsamente Rm 5, 12: ¨Em Adão todos pecaram¨. Paulo só escreveu: ¨aliás todos pecaram¨. Agostinho: No momento da geração se transmite o pecado original.
Criança não batizados vão para o inferno, fora da igreja não tem salvação. Na idade media se fala do limbo.
Conseqüência na história: Missão da igreja com violência e força para salvar a humanidade do inferno. Hoje se fala do pecado social como Ro,5,12

         IV 3.) O que está errado, o que está certo:

            Na catequese com crianças nós não perguntamos: o que é pecado, mas perguntamos: o que está errado, o que está certo.

O ERRADO
            * eu fiz bagunça na catequese
            * eu menti à mãe que não quebrei o prato
            * eu desobedeci à mãe, não limpando o meu quarto;
            * eu andei de bicicleta na contra mão;
            * eu roubei balinhas no supermercado;
            * eu colei na escola;
            * eu não fui para a missa;
            * eu fui preguiçoso de rezar a noite
O CERTO
            * eu ajudei a mãe porque ela estava doente;
            * eu falei a mãe: desculpa, quebrei o prato;
            * eu fui à missa;
            * eu rezei todas as noites;

Isaias dizia do Emanuel: ¨Ele se alimentará da coalhada de mel, sabendo rejeitar o mal e escolher o bem. Antes mesmo que a criança saiba rejeitar o mal e escolher o bem... o solo ficará desolado (Is 7,15-16). A criança ainda não tem consciência do bem e do mal..

          IV 4) O que é PECADO:     

            O pecado tem dois elementos: O lado objetivo: as palavras da aliança e o lado subjetivo: o saber e querer.
a)      O lado objetivo:
            Se a gente pergunta: “Por que um ato se torna pecado?”
pode-se responder: Porque está prejudicando o outro. Tudo, o que prejudica, machuca, ofende o outro, pode se tornar pecado.
b)      O lado subjetivo: o saber e querer
Eu ajo com consciência: eu sei que estou prejudicando o outro Eu ajo com liberdade: Eu quero prejudicar o outro.

                                 O Saber e o Querer 
                   são a condição para cometer um pecado.


IV 5)  O pecado na Primeira Aliança.

            A Bíblia usa uma ampla variedade de termos para explicar o que nós chamamos pecado: “hatta’t” o verbo significa ”errar o alvo”, não conseguir o objetivo, a omissão .“awôn” significa um “desvio”, elemento de falha, de distorção, no uso comum culpa, é um extravio. “ra” significa “mal”, abominação, depravação, significa também feio. “marah” significa “revolta”, é o ato pelo qual a comunhão é dissolvida, ruptura da aliança.
O que se esquece é a falta, a culpa, a omissão. Nós faltamos de cumprir o que a aliança pede, o que Jesus pede aos discípulos.

O pecado principal é a ruptura desta aliança.

            A contribuição da parte de Deus nesta aliança ou neste contrato é a libertação da escravidão e a promessa da terra.
            A contribuição da parte do povo como parceiro ou partidário de Javé (Dt 4,4) seria: observar esta aliança, guardando as palavras e pondo a em prática: “Faremos tudo o que Javé mandou”. Não fizeram, faltavam.

            No pós-exílio o sacerdócio sadoquita criou a lei da pureza para todos os judeus. Alguém peca mesmo sem advertência – sem  saber - se não observa a lei  (Lv 4 e5).

            As 10 Palavras ou Decálogo da aliança:                
           Nós falamos dos 10 mandamentos, a Bíblia hebraica fala das 10 Palavras. A Bíblia grega, a LXX, traduziu as 10 Palavras por Decálogo “E Deus falou todas estas palavras” (Ex 20,1). As 10 Palavras não são uma lei. mas Deus aconselha, faz uma advertência, Ele fala: “Não faças isso”. Ele não pune, mas perdoa.       
          Nas “Dez Palavras” se trata de um contrato entre iguais. Deus recorre à consciência e à liberdade do parceiro. Mais tarde não escreverá as palavras nas pedras, mas no coração (Jeremijas 31,33).
  
           Quem faz algo contra a lei vai ser punido, A palavra “mandamento” retrata a relação entre dono e submetido, que precisa obedecer.
         
As cinco palavras em relação a Javé:

01. Eu sou Javé que fiz você sair do Egito,
      da casa da escravidão!     
     Não tenha outros deuses diante de mim.
02. Não faça para você ídolos, porque eu,
      Javé seu Deus, sou um deus ciumento.
03. Não pronuncie em vão o nome de Javé, seu Deus.
04. Lembra-te do dia de Sábado para santificá-lo,
      Javé abençoou o dia de Sábado e o santificou.
05. Honra seu pai e sua mãe: assim você prolongará sua vida na terra  que Javé seu Deus dá a você .
           
As cinco primeiras palavras começam com a saída do Egito e terminam com a terra prometida. Se - dirigem a Javé, cinco vezes apareça o nome dele..
4. O Sábado lembra a libertação da escravidão no Egito ( Dt. 55,15)      
            5. Os pais são os pais de todos os filhos do povo de Israel, que veneram o deus de nossos antepassados, começando com Abraão e Sara. Os pais transmitem esses fatos. O Salmo 78 fala: “O que nossos pais nos contaram não esconderemos aos filhos deles, para que não seja como seus pais, uma geração rebelde”.
A honra (não obediência) é devida em primeiro lugar aos pais e não aos poderosos do Estado ou de qualquer outra autoridade.  
            Um índio de Minas Gerais falou assim: “Meu pai contou para mim. Eu vou contar para meu filho, quando morreu, ele conta para o filho dele. E assim ninguém esquece”.

                                  As cinco palavras em relação ao outro

06. Não mate.
07. Não cometa adultério.
08. Não roube.
09. Não de falso testemunho.
10. Não cobice as coisas do outro.
   O Evangelho de Mateus aprofunda a secunda parte das dez Palavras Mt 5, 21 – 48.
06. Não matarás: Não ficar com raiva do irmão, chamar o irmão de besta ou idiota. Não se vinguem de quem fez o mal a vocês. Amem seus inimigos e rezem por eles
07. Não cometerás adultério: Todo aquele que olha para uma mulher (virgem) e deseja possuí-la, já cometeu adultério com ela no coração.
08. Não roubarás.
09. Não apresentarás falso testemunho: Não jurem de modo algum.
10. Não cobiçarás nada do outro.

                     O essencial do compromisso:

            Javé vos ama (Dt. 7,8). É o primeiro passo: Javé fez a aliança, não o povo, porque ele ama este povo.
 Agora segue a resposta: “E agora, Israel, escuta! Amarás Javé, teu Deus com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todo o teu ter” (Dt. 6, 4).
         No Lv 19,18 escutamos: “Amarás o teu próximo, ele é como tu” e não oprimir Lv 19,33: amar o migrante, ele é como tu “pois vós mesmos fostes migrantes” (não “como a si mesmo”).
A pessoa só pode amar, se foi amado. A criança recebe o amor fundamental da mãe. Quem não foi amado, dificilmente pode amar, porque não conhece amor.
             Quem  foi maltratado, reage com agressão, com violência,  não conhece amor. O que podemos fazer, amados ou não: não retribuir o mal com o mal como acontece na vingança: “Não explore o migrante, nem o oprime porque vocês foram migrantes no Egito”. (Ex 22, 20)

A regra de Ouro diz: “Portanto, tudo aquilo que quereis que os homens façam a vós, fazei-o vós mesmos a eles: esta é a Lei e os profetas” (Mt 7,12). Esta regra encontra-se em todas as religiões.
  
¨A existência humana se baseia
 sobre três relações fundamentais:
 as relações com Deus, com o próximo e com a terra.
               Encíclica ¨Laudato si¨ Papa Francisco 2015:


                       IV 6) Pecado na nova Aliança
     
                               O NOVO MANDAMENTO
“Quem é meu próximo?” perguntou o especialista em lei (Lc 10,25-37).   Para os sacerdotes e fariseus no tempo de Jesus se diz: ¨Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo¨(Mt 5,43).

 O amor do Evangelho vai além da família, raça, nação. Jesus porém diz: ¨Amai vossos inimigos¨. O amor do Evangelho vai além da família, raça, nação.   “Sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu”.  Isto mostra o lado feminino de Deus (Mt 5,43-48 e 6,25-32;))

             O Evangelho de Joã (15,9): O novo mandamento é este: “Amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês¨.  A pessoa de Jesus e não a Lei é a nova aliança (Jo 16,9,)  Pecado é não acreditar em Jesus.
                                            
                                 PERDOA-NOS AS NOSSAS FALTAS

             ¨Que me falta ainda?¨ (Mt 19,10)
             Se reflete poucas vezes sobre as nossas  faltas, dívidas, culpas, omissões. ¨Feliz aquele a quem Javé não computa falta¨ (S 32, 2 e 5). Em S 51,3:¨Apaga minha culpa¨. S 85,3: ¨Suprimiste a falta do teu povo¨.
            Mt (6,12): ¨Perdoa-nos as nossas faltas (dívidas) como nós mesmos temos perdoados aos que tinham dívidas¨.
Paulo aos Romanos: ¨Entregue por nossas faltas¨(4,25). O dom da graça é diferente da falta (5,15-18).

           Pode ser que não temos pecados, mas pedimos perdão pelas nossas faltas, culpas, omissões. Fomos chamados a seguir e imitar Jesus, ser perfeitos como o Pai e falta muito.

                     IV 7) O sacramento do perdão:

O perdão é um ato recíproco: um está pronto a perdoar, o outro pede perdão, só assim acontece reconciliação.
            Preparação: Refletimos o que fizemos errado, o que foi pecado, feito com consciência e liberdade. Nós nos arrependemos e pedimos perdão. O Salmista (S 51) reza: “Segundo a tua grande misericórdia, apaga minha culpa, desvia o teu olhar dos meus pecados”. Perdoar significa: esquecer, não mais lembrar. O profeta (Is 43,25) dizia: “Eu, porém, sou tal que esqueço as tuas revoltas, que não lembro as tuas faltas na memória”.
            Confissão: Confessamos que pecamos em pensamentos, palavras, atos e omissões por nossa culpa., eles são a matéria do sacramento.

            Perdão: O importante é: Eu peço perdão, se não quero perdão, Deus não pode perdoar. O padre pronuncia as palavras do sacramento:
            “Deus Pai de misericórdia que pela morte e ressurreição de seu filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito.” A resposta é: Amem

            Restabelecer: Agradecemos a Deus que perdoa e até esquece o que fizemos, Somos livres do passado e podemos caminhar de novo rumo ao reino de Deus. O pecado deixou danos e ofensas ao outro, por isso queremos restabelecer o dano,

          A confissão comunitária:

          O Vaticano II declarou: Deus não quer salvar o individuo, quer fazer de nós um povo. Por isso é conveniente que a comunidade no início da Eucaristia pede perdão pelas faltas contra Deus e os outros.. A Eucaristia é o lugar privilegiado do perdão. Confessem mutuamente os próprios pecados e rezem uns pelos outros, para serem curados. “A oração do justo, feita com insistência, tem muita força.”


    V. A cura: unção dos enfermos

A carta de Tiago (5,13 – 15) recomenda “Alguém de vocês está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que rezem por ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. A oração, feita com fé salvará o doente: o Senhor o levantará, e se ele tiver pecados, serão perdoados¨.

Antigamente o presbítero ungiu os olhos, os ouvidos, os lábios, as palmas das mãos e os pés do doente.
 Todos os sentidos do doente, o ver, ouvir, falar, agir e andar devem ser reforçados com o óleo dos enfermos em prol da vida.

VI.  O Matrimônio

Podemos usar uma parábola: Alguém joga uma pedra na água, a pedra cria ondas na água:
 A primeira onda, o centro, é o amor entre homem e mulher, criados à imagem de Deus à sua semelhança como conta a Gênesis.
 A secunda onda: O matrimônio como aliança de Javé com Jerusalém.
 Terceira onda  o amor de Cristo, do esposo à igreja, a sua esposa, se refere à esta aliança entre homem e a sua mulher.
 A quarta onda no final do Apocalipse (Ap 21) avisa a aliança de Deus com toda a humanidade, que será a sua esposa. 

            VI 1. Preliminares
            Importa proclamar o Evangelho da sexualidade e da afetividade: “È interessante observar de início como por vezes  algumas palavras referentes à realidade em si positivas em ambientes de igreja assumem uma conotação um tanto negativa. Isto ocorre sobre tudo quando se trata de sexualidade e afetividade. Estes tendem a ser conjugados com desvios, abusos  e mas condutas ou ao menos com sinais de imaturidade.
            “Sexualidade e afetividade se colocam entre os dons mais preciosos que o criador confiou aos seres humanos, elas são portadores de ricas promessas para casados e celibatários, elas são caminhos privilegiados para a atuação da graça de Deus”.  
            A igreja assumiu os pensamentos de Platão e Aristóteles. Platão despreza o corpo em favor da alma, o terreno e a história em favor das idéias e do eterno. A morte significa a libertação deste cativeiro. A ressurreição seria uma volta para a calamidade.
            Na modernidade predomina a vontade de conquistar, enquanto os sentimentos de interdependência são reprimidos.
(Descartes: Saber é poder): precisa reprimir a libido e seus desejos em favor do poder... (Frei António Moser CNBB 2003)

VI 2, Vou fazer uma aliança:
“Vou fazer” uma ajuda face a face (Gn. 2,18):

Com estas palavras “vou fazer” começa a promessa da aliança que Javé vai fazer com o povo:
            No mito sobre a origem do ser humano falava-se da formação do “adam”  da adama ( terra ) um termo coletivo e sem conotação sexual, tanto varão como mulher.
           A construção da mulher foi tirada do lado do Adão (não do homem) ou cortando o Adão pela metade. Agora aparecem homem e mulher. (Ribla 37 p. 15)

            O texto sacerdotal diz assim: “Criou Deus o ser humano (adam) à sua imagem, o criou à imagem de Deus, macho  e fêmea  os criou” ( Gn 1,27). O termo macho ¨zacar¨ significa espetar, isto é: algo que penetra, fêmea, ¨neqebah¨ tem o sentido perfurar, abrir.

            Se homem e mulher são criados à imagem de Deus, como só pode haver um Deus macho? Em alguns textos bíblicos Javé é apresentado vindo do Sinai, sendo acompanhado: a sua direita por Aserá. Ao tempo de Jeremias prestava-se culto primeiro a rainha do céu, depois libações a deuses estrangeiros (Jr 7,17-18). Os homens e as mulheres não gostaram as palavras de Jeremias, continuavam queimar incenso à rainha do céu (Jr 44,16-19) Ribla 38 p.132).  
Josias ordena que se tirem da casa de Javé  os utensílios fabricados para em honra de Báal e de “Asherá”.  (2 Reis 23,4,) Foi o Deuteronomismo que fortaleceu a monolatria e o culto exclusivo a Javé. (Ribla 38 p. 32s). Mesmo no tempo de Jeremias o povo ainda prestava culto à rainha do Céu (Jer. 44, 2-19).

A aliança no Horeb “Vou firmar uma aliança” ( Ex 34,10)
 A fórmula: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”  que se repete na maioria das vezes na Bíblia é tirada dos contratos matrimoniais: “Esta é minha mulher eu sou o seu marido hoje e sempre”.
             No antigo Oriente por ocasião de uma aliança era depósito  nos templos de cada parceiro um documento escrito que devia ser lido periodicamente. Agora a relação entre homem e mulher serve como metáfora para a aliança de Deus com o seu povo.

            Oséias e Gomer: Oséias vive no Reino de Norte no tempo de Jeroboão II (782-753) e casou Gomer, provavelmente uma prostituta num templo de Baal. “Vá, tome uma prostituta e filhos da prostituição, porque o país se prostituiu afastando- se de Javé” (1,2). O amor de Javé é inabalável: “Agora sou eu que vou seduzi-la (faz menção à violência sexual do homem à jovem prometida em casamento), vou levá-la ao deserto e conquistar seu coração. Ai ele vai me responder como nos dias de sua mocidade: Meu marido¨ (2,16).

            Jeremias Ele reflete sobre a queda de Israel: “Eu te lembro de teu devotamento do tempo de tua juventude, o teu amor de recém-casada: tu me seguias no deserto” (2,2-32). 
            Javé é o esposo traído, mas pede a mão de sua esposa:
“Volte, Israel rebelde, eu não mostrarei a você uma face indigna, porque sou amoroso e não guardo rancor eterno, reconheça a sua culpa.” (3,11-13)
            “Então sua irmã Judá, a infiel, viu tudo, viu que eu rejeitei a rebelde Israel... Mas a infiel de Judá, sua irmã, não teve medo, também ela caiu na prostituição... (3, 6-10)

            Ezequiel Ele é um sacerdote e vive na Babilônia, sabia da queda de Jerusalém. Ele nos apresenta (cap.16) uma alegoria da esposa infiel: de um lado está o homem como Deus, de outro lado a mulher como Jerusalém.

Os discípulos de Isaias
Os anseios nos tempos dos Persas são a salvação de Jerusalém que funciona tanto pela totalidade de Israel como para exprimir a libertação da diáspora: todos os dispersados voltarão para Jerusalém:

          Isaias II ¨Esquecerás a vergonha da tua adolescência. Pois aquele que te fez é teu esposo¨. (Is. 54, 1-17 e 61,10).

            Isaias III Jerusalém, como noiva ou esposa de Javé é o grande sonho de todos os judeus: ¨Assim como o jovem  desposa a sua noiva, o seu Criados (não seus filhos) casará com você¨. (Is. 62, 1-12!)

          Agora não há uma deusa ao lado de Javé, mas sim a Jerusalém.

VI 3) O Nínfagogo:

É uma palavra grega, ninfagogo é aquele, que conduz ou apresenta a noiva ao noivo. (O pedagogo conduz ou educa crianças). Antigamente os pais escolheram para o filho a futura esposa  e apresentaram a noiva à comunidade: o Pai apresenta a Noiva e a Mãe o Noivo. Hoje em dia fica um mero ritual.
Os judeus introduzem o sábado como uma noiva (Ex. 31, 16, Is. 24,5). Eles acolhem o Sábado com estas palavra
Vem bem amado ao encontro da noiva
Ela aparece, vamos recebê-la.
Bem vinda seja a coroa do seu esposo,
Entre minha bem amada,
Vem com canto, com alegria, com regozijo,
Para o meio dos fiéis: vem ó noiva, a rainha”.

              João Batista apresenta Jesus como noivo dizendo: “Quem tem a noiva é o noivo” e acrescenta: “eu não sou ninguém para soltar-lhe a correia da sandália” (Jo 1,27). O Evangelho lembra a lei do Levirato (Dt 25,5-9 e Rute 4). Quem tem a sandália é o noivo. Jesus é o noivo.

Paulo escreve na 2ª Carta aos Coríntios 11,2: “Tenho ciúme de vós, ciúmes de Deus, pois vos prometi a um único marido, para apresentar-vos a Cristo como virgem intacta¨.

VI 4) O matrimônio na história da igreja        

            As cartas aos Colossenses e Efésios não são mais de Paulo, são dos discípulos dele onde prevalece uma forte influência do pensamento grego-romano: Agora Cristo “é cabeça do corpo que é a igreja.” (Cl 1,18). Há conseqüências: “Mulheres, sejam submissas aos seus maridos, filhos, obedeçam aos pais” (Cl.3, 18-25), uma aplicação da ética grego-romano à igreja o que não mais aceitamos.
            Na carta aos Efésios Cristo é cabeça da igreja com a mesma conseqüência da submissão da mulher ao marido (5, 21-33). Mas se Cristo é a cabeça da igreja, ele dificilmente pode ser esposo da igreja, face a face. O texto fala, que Cristo “quis apresentá-la para si mesmo esplêndida, ele quis a sua igreja santa¨.
            O bispo Gregório de Nazian em torno 385, convidado para um casamento, não podia participar e escreveu: “Eu quero cantar meu canto de casamento: abençoe vocês o Senhor de Sião (S 127,5), que ele mesmo una o casal. O Pai coloca as coroas, aos pais pertence a coroação, a nós  as orações.” 
            No século IX na igreja de Roma o noivado se celebra em casa com a declaração de consentimento e a entrega das alianças. Após o Concílio de Trento o presbítero dirigiu a cerimônia, deu a benção e constatou a legitimidade. Alguns tratavam o Presbítero como ministro, mais tarde os noivos mesmos foram os ministros.

Os três componentes do matrimônio:

             a) Elemento: noivo e noiva na sua corporeidade. O sacramento só é válido após a união corporal do noivo e da noiva.
            b) Palavras: Em geral só se fala “eu te recebo...” Porém antes que eu recebo uma pessoa, a outra deve se entregar a mim. Seria certo primeiro falar assim: “Eu me entrego a ti” e depois “Eu te recebo”.
             c) Ministros: os noivos mesmos são os ministros: um dá o sacramento ao outro. Quem dirige a cerimônia, é uma testemunha qualificada, seja leigo ou presbítero.

VI 5) A celebração do matrimonio:

O celebrante interroga os noivos sobre
1) a livre vontade,
2) sobre a fidelidade enquanto vivo,
3) sobre disposição de receber as crianças.

As palavras dos contraentes:
Ela: Eu me entrego a ti N  como tua mulher hoje e sempre
Ele: Eu te recebo por minha mulher hoje e sempre.

Ele: Eu me entrego a ti N  como teu marido hoje e sempre
Ela: Eu te recebo N por meu marido hoje e sempre.

Cada um faz a promessa:
Eu te prometo ser fiel na alegria e na tristeza
na saúde e na doença amando-te e respeitando-te
todos os dias de minha vida.
O celebrante confirma em nome de Deus este compromisso:
O que Deus uniu o ser humano não separe” (não pode ser traduzido: “não deve” o grego não diz assim) A benção não é uma lei, muito mais uma advertência de Deus, um aconselho para o futuro. A entrega das alianças simboliza a aliança douradora.

O noivo diz, em seguida a noiva:
N:  Receba esta aliança em sinal do meu amor e da minha fidelidade
      em nome  do Pai do Filho e do Espírito Santo, Amém!

A benção final:
 Todos os padrinhos ficam em redor dos noivos e dão juntos com o celebrante a benção final.

VII A Ordenação

VII 1) Os cargos no NT.
             Nós encontramos os primeiro dons que ele deu em Ef 4,11; foram apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e docentes.
Jesus constituiu doze para estarem com ele e para os enviar (Mc 3,13-19;). Jesus chamou doze apóstolos (Mt 10,2;).
 No Lc Jesus escolhe entre os discípulos doze com o nome  apóstolos (Lc 6,13) O número doze corresponde ao das doze tribos de Israel. Em Lc 17,5 os apóstolos pediram a Jesus: ¨Aumenta em nós a fé¨. Lucas critica: são empregados inúteis que só fizeram o que deviam fazer.
Nos Atos a assembleia escolheu 7 homens, chamados diáconos, ¨apresentaram-nos aos apóstolos, oraram e lhes  impuseram as mãos.
            No  Evgl. de João não há apóstolos ou ministros, todos são discípulos.. Só no apêndice Jesus disse a Simão Pedro: Se tu me amas apascenta os meus cordeiros (Jo 21 15). Jesus vivo autoriza Simão Pedro, não usar poder, mas sim com amor os cordeiros de Jesus.

VII 2) Os ministros na igreja:
Na igreja primitiva encontramos bispos, presbíteros e diáconos que pela imposição das mãos dos apóstolos foram ordenados. Sacerdotes não havia, todos os cristãos foram consagrados no sacerdócio comum.
      O critério da igreja primitiva para escolher um ministro foi o consenso de todos: quem preside a igreja local, deve ser eleito de todos. A voz de povo era a voz de Deus. Hoje só vale a voz da hierarquia, sem participação do povo. Parece que tinham também mulheres que presidiram a Eucaristia.
A partir de 313 com Constantino mudou a posição dos Bispos, Cada cidade tinha um bispo, que agora foram tratados com senadores e governadores e  receberam as insígnias do poder: mitra, anel, báculo.
 
              Agostinho reflete seu ministério:
”Atemoriza-me o que sou para vós,
consola-me o que sou convosco.
Pois para vós sou bispo, convosco sou cristão.
Aquilo é um ofício, isto é uma graça.
O primeiro um perigo, o segundo é  salvação.”

O Papa Gregor VII impôs 1073 d.C. a lei do celibato dos clérigos por vários motivos, O matrimonio do presbítero era herético porque distraia do serviço do Senhor.
Nunca uma mulher podia assumir um ministério, porque por essência da sua natureza ela é menor do que o homem.

VII 3) Os diferentes ministérios de hoje:

             Deste o Concílio Vaticano II os bispos são considerados como colegas do Papa, os padres são colaboradores do bispo.
 Pertence à hierarquia buscar novos caminhos por falta de presbíteros com o celibato para que os ministros possam atender as necessidades das comunidades, e para residir as Eucaristias.





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